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Do autor

10/02/2007
Acorda amor, eu tive um sonho agora! - Prefácio

          Certo, você vai mesmo escrever um livro sobre homossexualidade? Mas desculpe a pergunta: você de fato entende tanto mesmo a respeito do universo gay a ponto de representar fidedignamente todos os gays? Perguntou cético Rodrigo, meu melhor amigo, escondendo a preocupação e o espanto diante da exposição do projeto da elaboração do livro. – Sinto o prenúncio de dissabores e uma “exposição um tanto perigosa”.

          Escrever um livro sobre o universo gay que não tem a intenção nem presunção de ser um elaborado tratado antropológico acadêmico e sim expor a visão particular de um assunto que se tem muito a falar e muito a se refletir pode ser um ser útil a muitos outros homossexuais e seus familiares que no momento estão passando por algum tipo de sofrimento por não saberem como lidar com o desafio de uma questão tão complexa, um cubo mágico cultural. Escrever a  história de ser homossexual hoje é como traçar o retrato falado de agressores sem rosto, identificar a estratégia de um inimigo sem endereço definido.

          Conversando com amigos, conhecidos, colegas, você se sente estimulado a conhecer a história de vida de cada um e percebe que em cada história há sempre uma passagem triste e traumatizante para contar sobre o árduo destino de ser gay numa sociedade ideologicamente entrincheirada, correr de suas granadas culturais, esgueirar-se das casamatas identificáveis ou sucumbir a morte súbita ao pisar numa mina de solo.

          Sim, ali estavam eles, em cada estória, em cada confissão constrangida dos cofres abertos. Acompanhantes indesejáveis, escolta de carcereiros. Reconheci os velhos sentimentos de mágoa e opressão, que já imaginava compartilha-los. Os relatos são invariavelmente casos estarrecedores de violência física e psicológica contra homossexuais, desde as mais corriqueiras como a humilhação em ambiente de trabalho, o banimento familiar, até atitudes estarrecedoras como o pai esfaquear o próprio filho.  De exemplos de violência, é preferível parar os relatos no quarto ou quinto exemplo entre as centenas que tenho na memória, suficientes para um livro só de contos policiais.

          De todos os desafios possíveis advindos das vivências e percepções de um observador, aposto no poder de mudanças se pudéssemos levar a sociedade uma visão mais clara de uma sexualidade que não se vê, escondida atrás das gravatas de sedas e histórias tranqüilas dos milhares de gays que estão pelo mundo vivendo com tranqüilidade e soberania ao lado de seu cônjuge. Existem tantos exemplos positivos nunca relatados, escondidos e limitados ao entorno de familiares e amigos próximos que poderiam servir de parâmetro de sobrevivência e esperança a muitos que estão realmente necessitados de alento. Desarmar as almas com o exemplo de tantos outros homossexuais bem sucedidos que romperam as amarras da opressão, junto a seus familiares e amigos virtuosos, apoiados na riqueza espiritual de seres humanos que se recusaram a se entregarem na armadilha irracional da homofobia, que optaram em não perder um minuto sequer da vida nas tramas sombrias da intolerância para viver intensamente o incondicional amor por seu ente querido.

          Imagino constranger o ódio com cada abraço caloroso de aceitação, entendimento e amor que você verá nas imagens dos familiares que ilustraram esse livro.

          Rodrigo, meu mais velho amigo, talvez não perceba, mas sua alma nobre é maior referência do que escreverei nestas páginas. Você merece um capítulo à parte pelo exemplo de sua amizade incondicional. Nos conhecemos desde o colegial, quando ainda éramos moleques, ainda cheio de cabelos e mesmo você sacando todas as bandeiras que nunca fiz questão de esconder, sempre esteve ao meu lado sem questionar nada. Apesar de diminuindo com o passar dos anos, o medo de “abrir o jogo” para você era tanto que posterguei aquele papo franco por longos dezessete anos, dos vinte e poucos que nos conhecemos. Tinha certeza que você continuaria sendo o mesmo amigo. Sua coragem é grandiosa em nem se abalar se as pessoas desconfiariam da sua masculinidade, se você também fosse gay por estar sempre ao meu lado, por ser tão meu amigo!  Imagine o quanto perderíamos se nossa amizade tivesse sucumbido ao preconceito estúpido... as nossas deliciosas visitas constantes ao sebos de livros e discos, nossos mútuos desabafos sobre nossos problemas, tantos inumeráveis momentos agradáveis.
 
          E foi assim que Rodrigo demonstrou apoio as argumentações expostas efusivamente, mas rebateu preocupado, sob a opacidade de seu filtro heterossexual se eu tinha consciência das conseqüências desagradáveis da exposição na mídia, de empenhar essa bandeira (dar bandeira?). Respondi que estava preparado... - Mas que nome você vai assinar o livro?! O seu mesmo?!...Ou um pseudônimo qualquer? , indagou ressabiado, num tom melindroso ao perceber a intenção do amigo “assumir” a pecha da rubrica oficial de homossexual, como prevendo um ato atentatório revolucionário, audacioso o qual caberia enviar a carta bomba anonimamente. Seu sobressalto é docemente sua preocupação fraternal.  Sua sugestão em considerar o uso de um heterônimo, é o ecoar evidente de uma transgressão de um código a ser seguido, aprendido, gota a gota, subliminarmente, através dos amigos, nas escolas, nas revistas, nas igrejas, nas inocentes chacotas, na concepção do senso comum aprendido nas aulas do dia-a dia da vida.

          Dar a cara para bater dá medo mesmo e até nos faz imaginar uma saída descabida como essa de me esconder atrás de um nome fictício. Esse expediente foi utilizado por Chico Buarque e alguns outros compositores e escritores perseguidos pela ditadura militar no Brasil. Para burlar a perseguição dos censores do regime militar o Chico Buarque criou o heterônimo “Julinho da Adelaide”.  Curioso perceber como os momentos de crise de uma nação podem impulsionar a verve e a criatividade dos poetas. Julinho chegou até a dar uma entrevista para o jornal Última Hora sobre sua carreira em ascensão! Eta menino arretado...Compôs várias composições cutucando a ditadura, entre elas “Acorda amor” que é muito espirituosa.

          A sugestão do uso de um heterô-nimo sutilmente desvenda o tipo de relação que boa parte da sociedade tem com a homossexualidade: sexofacismo.  Um pressuposto evidente que tanto você, heterossexual e eu, homossexual, sabemos dos perigos de ser gay no Brasil no século XXI, da presença concreta de um estado de relações perigosas e arbitrárias em nossa sociedade. Uma ditadura. O homem-bomba sexofacista esta lá sim, grassando livremente entre a sociedade, escondido junto a seu arsenal untado ao corpo sob sua insuspeitável burca negra. Talibã travesti ocidental. Vivemos o tempo de uma conjuntura social tão temerosa quanto a ditadura militar, mas com a desvantagem da homofobia não ser uma entidade a ser combatida, não tem identidade própria, não é um partido, não tem endereço, não tem sede na Alemanha, no sul dos Estados Unidos ou no Iraque. Não está sentado atrás de uma mesa no Palácio da Alvorada, não tem quepe nem medalhas da caserna. Ela está escondidinha dentro dos corações e mentes, com suas justificativas injustificáveis. Apenas incompreensão cega. Ideologia. Cultura.

          Sim, é desconfortável ser alvo, mas quem não se expõe quando se tem algo para contar?  Rodrigo, evidente que vou assinar meu nome!! 

          A sociedade não pode tropeçar no alçapão das trevas de um pérfido imaginário mitificado da homossexualidade e não vou ser covarde e me ocultar, ser cúmplice. Convido a um esforço de imaginação antropológica, sentir a dor de  crimes tão ir-reais. Das crônicas, que elas nos elevem à consolidação da democracia, do respeito às nossas diferenças. Apenas um pequeno passo na jornada de uma nova história em que o ato solidário seja o apropriado caminho para o entendimento, que o ato sexual seja apenas um apêndice da complexa e vasta riqueza de sermos seres humanos.

          Contribuir para a construção de um mundo solidário em que eu tenha orgulho de assinar meu nome aonde for e que você tenha orgulho de um grande amigo que te ama como um irmão, com o indiferente pormenor de ser homossexual.

Contato com o colaborador:
falecom@ricardoorsi.com.br

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